quarta-feira, 10 de julho de 2013

Estilo de vida


Muitos consideram este estilo uma forma de vida. No nosso país é complicado, mas há gente que anda por aí a implantar esta "nova" maneira de viver. Uns gostam outros não. Uns sabem o que é, outros preferem copiar sem saber o que é. Outros são ocasionais. Casuals em Portugal, utopia ou realidade?


Imagens que nos fazem viajar










Fotos enviadas por AP, uma leitora do blogue. Obrigado.










domingo, 7 de julho de 2013

Música, a diferença

Futebol, roupa e música. Muitos consideram estas as vertentes do casualismo (nem sei se esta palavra existe). O primeiro denominador, penso que não há dúvidas e é o motor de arranque.
Na roupa existem aquelas marcas que são óbvias e indispensáveis, mas com o passar do tempo o desafio, como alguém já disse aqui, é encontrar coisas novas de qualidade mas com a mesma filosofia.

Na música é que as coisas diferem bastante. O tradicional seria o brit pop, como Stone Roses ou Oasis, mas não é consensual. Nem mesmo a música eletrónica que teve grande influência na história Casual/Hooligan é consensual. Pessoalmente, gosto de alguma brit pop, mas não sou grande fã nem conhecedor da história musical britânica. Sei que The Specials, Northen Soul, David Bowie, The Who, Sham 69, Oasis, Stone Roses, Blur (…) têm grande influência, mas para mim é NIM.

Através do Football Factory descobri os The Streets, de Mike Skinner.  Mistura de hip hope eletrónica que me surpreendeu bastante. Adepto confesso do Birmingham, tem um Clip gravado no estádio dos Zulus onde levava nos pés uns ténis Lacoste, um polo Lacoste, uma malha Lacoste e um casaco SI…interessante. O folheto informativo do álbum A Grande Don’t Come For Free parece uma passagem de modelos da Fred Perry. Nos clips desse álbum podem ver os polos da Fred. Num concerto em Belfast apareceu em palco de chapéu e camisola Aquascutum. Chamou-me bastante atenção.

Outros britânicos que cativaram o meu ouvido foram os Mitchell Brothers. Muitas das letras deles falam de Liverpool, Tottenham, Tshirts SI, polos Fred Perry e adidas Stan Smith.  
Isto tudo para dizer, que a música é, sem dúvida, a vertente que mais varia de país para país e de pessoa para pessoa.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Evolução


Esta ilustração realça a evolução do modo de vestir dos Casuals.
Anos 70' predominavam os corta-ventos verdes e os Adidas Forest Hills Gold, bem representados no filme Awaydays. Anos 80', o casaco de fato-treino da Fila, o Fila BJ, aqui em verde, mas o vermelho e o azul eram também muito usados. Nos pés Diadora Borg Elite, outro clássico. No re-make do film The Firm vê-se muito disto. Ano 2000, CP Mille Miglia e Adidas London, ainda atual. Mas mais atual o último boneco. Parka Farah e New Balance.

Para mim, qualquer um serve.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tune: The Streets


Entrevista: Feed your closet and keep it Casual

Mais uma entrevista. Esta é para se tirar dicas e ilações. Crítica mas também construtiva, de um dos poucos Casuals que conheço.

 


O que achas do panorama Casual em Portugal?

Panorama Casual em Portugal simplesmente não existe. Pelo menos da forma como se vive, ou vivia no Reino Unido. Vou tentar explicar de forma simples, o que caracterizou a "cena casual" foi a roupa, a música e a violência inerente às rivalidades dos clubes.  Nós por cá, temos um polo e uns adidas que usamos ao fim de semana apenas, temos pouca ou nenhuma ligação futebol/música e violência temos uma imitação de filmes britânicos e muita conversa de  internet. 

Agora podemos falar da nossa cultura portuguesa de claques, umas mais viradas para o apoio, outras mais para a defesa do seu clube, e a espaços vamos tendo algumas tentativas sejam ligadas aos grupos organizados ou sejam movimentos à parte, mas para mim longe da cultura britânica. 

 

Com a cena ultra, achas que o movimento Casual tem espaço de manobra no nosso país?

Nesta altura, e já tendo respondido na anterior questão sobre o movimento Casual, julgo que todos os grupos em Portugal são mais ultras embora alguns o neguem, portanto acho que não tem grande espaço a não ser que haja uma mudança enorme de mentalidades.

 

Quais são, para ti, as grandes diferenças com os restantes países?

Para mim, existe uma grande diferença entre Portugal e os restantes, é o comodismo, e penso que será geral a todos os clubes, e também num panorama mais abrangente, onde já integro os "adeptos normais" é que cá não se gosta tanto de futebol como se pensa, e isso nota- se e faz toda a diferença num estádio, onde tens 10% que esta com a equipa e 90% que vai só ao futebol assistir.

 

Já estiveste em muitos países. Qual deles te chamou mais atenção, ou qual deles mais te surpreendeu?

Estive na Suíça recentemente a ver um derby local, e posso dizer que deram 10-0 a qualquer grupo português.

Mas na europa em termos de apoio Grécia, e em termos de intimidação Turquia. Os primeiros embora também sejam dados à violência têm uma maneira de apoiar a equipa sem mostrar ódio total ao adversário, já os segundos penso que foram talhados para a arruaça. Mas claramente até hoje os dois sítios mais marcantes. Mas tendo o gosto por futebol e adeptos em geral, Escócia, Roménia, Itália e França (Marselha) também são especiais. Penso não me esquecer de nenhum.

 

Inglaterra continua a ser a grande fonte de inspiração?

A nível casual? Inglaterra vai ser sempre a inspiração pois foi lá que começou tudo, já vês nas curvas italianas muita moda inglesa, a escapar as t-shirts dos grupos e cachecóis, portanto penso que devido ao sucesso dos filmes britânicos e ao pouco sucesso dos filmes italianos a casualidade vai sempre proliferar nestes meios, pelo menos por mais uns tempos, se são os valores originais, não creio. Mesmo em Itália, e quiçá no Reino Unido também eles já terão se desviado um pouco dos seus primórdios.

 

Quais consideras ser as componentes essências para um Casual?

Ter alguma cultura que lhe permita conhecer a história que muitos criaram, e não querer apenas por parecer mas sim por acreditar nesses ideais. É como usar o símbolo de uma claque só para mostrar algo, o que se deve mostrar na cultura casual, no que a moda diz respeito, é apresentar novidades dentro da onda streetwear/casualwear. Trazer uns ténis que mais ninguém tem, um polo que é de edição limitada. 

A parte da violência é a conhecida, pub, cerveja, nervos, e depois é o que vier a mais.

A parte da música, penso que esta neste momento menos presente, na altura dos 80's havia o início das bandas Oi, Punk, o Disco Sound nos "clubs", nesta altura penso que não haverá um estilo definido. Em Portugal temos "casuais" que frequentam concertos de Tony Carreira.

 

Quais são os clubes que têm uma cena mais vincada?

Estou um pouco fora do panorama atual, ainda assim;

França - PSG/Lyon 

Espanha - Real Madrid

Itália - fui a alguns jogos de Inter e Roma e vi algumas turmas mas dispersas.

Holanda - Ajax/Feyenord

E algumas demais que agora não me ocorrem.

 

Politica e futebol, ou futebol sem política?

Infelizmente a cena casual esta mais ligada à direita, talvez pelo "elitismo" que quer transparecer.  

Mas penso que futebol e política não se devem misturar. Nunca. 

 

Qual foi a tua maior extravagância em termos de roupa?

Um casaco Stone Island comprei sem ter visto o cambio da moeda numa loja em Copenhaga.

 

Marcas que mais gostas?

Calças – Levis

           Camisas - Ben Sherman

           Pólos - Lyle & Scott

           Malhas - Henri Lloyd

           Casacos - Stone Island/CP 

           Calçado - Adidas

Mas não consigo deixar de mencionar outras, MAstrum, Barbour, Acquascutum, Hackett, Lacoste, e as marcas de ténis antigas Sergio Tacchoni e Fila. Recentemente adquiri uns New Balance, gostei.

Uma marca que me tem desiludido muito em Portugal pela "ganância" dos seus representantes é a Fred Perry, colocar nos morangos com açúcar, e patrocinar certos artistas não abona nada em favor desta marca histórica (falarei da Fred Perry num futuro post).

 

Acessório indispensável?

Originais. O pior que posso ver é falsificações. De resto cada um tem o seu estilo dentro do próprio estilo. Mas uma peça Stone Island acho que todos deviam ter. 

(Falta me um boné que sempre quis ter, o burberry cap, deixaram de o produzir, é pena, mas também estava a ficar massificado e não é isso que se pretende.)

 

Queres contar algo que achas relevante?

Quero só acrescentar alguns pontos, não vale a pena imitar tudo o que se vê nos filmes britânicos sobre a cultura, não é por vestir a marca a, b ou c que são mais que os outros. Nem todos tem dinheiro para gastar em marcas extravagantes. 

Queria deixar claro outra coisa, quando digo que em Portugal não existe cena Casual, digo-o em relação ao modelo britânico. Porque grupos à parte todos temos das claques,  aqueles mais atrevidos, aqueles que querem passar mais despercebidos e tentam andar sem serem controlados, mas depois há sempre incoerências, ou colocam na net os roubos, ou falam demais nas redes sociais. 

Deixo para os mais distraídos duas opções para perceber na totalidade este movimento, o documentário "Casuals" pensado pelo famoso Hammer Cass Pennant,  e o livro igualmente com o mesmo nome "Casuals" de Phil Thorton.

 

Feed your closet and keep it Casual.